TOP SURPRISE

For Top Surprise, it’s as if the world began in the 80’s. That’s when the band members were born, and when guitars reached unbearable volumes. Therefore, names like J. Mascis and Thurston Moore somehow represent the big bang that would result in the sound of the four-piece from the boring Juiz de Fora, in Brazil’s southeastern state of Minas Gerais. Another big influence, Guided by Voices’ lo-fi recordings were a stronger D.I.Y. message for the X and Y generations (yes, that’s where we are right now) than the messages that came before. But Top Surprise knows homemade noises, though wonderful, doesn’t float everyone’s boat; so they pack their songs with pop melodies that would certainly leave Phil Spector either proud or deaf.

Everything Must Go, Top Surprise’s debut, was produced by Lê Almeida (Coloração Desbotada) and Paulo Casaes (Fujimo) during two drunken days at brothers Andre and Daniel’s apartment. Vocals were recorded in the bathroom, guitars in the living room and drums in dad’s bedroom, to the neighbors’ despair. The results sound as strong as any recent “shitgaze” record you’ve heard — but with a subtlety only someone who worked as a telephone operator could conceive. Hysterical guitars and joggly drums explode into the songwriting, with female backing vocals resembling bees inside the speaker. From the obvious admiration of American college rock to hints of post-punk, the EP ends with a folk-tinged incursion into Jeff Mangum/Elliott Smith territory. Proof that even the syncretic “generation Y” is capable of tender moments — albeit amid chaos

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PORTUGUESE

Para a Top Surprise, o mundo parece ter começado nos anos 80 – quando seus integrantes nasceram, e as guitarras adquiriram um volume insuportável. Então, de certa forma, nomes como J. Mascis e Thurston Moore fizeram o big bang do que culminaria no som do quarteto da provinciana Juiz de Fora, Minas Gerais. Ainda nos anos 90, as gravações lo-fi do Guided By Voices transmitiram uma mensagem DIY muito mais contundente para as gerações X e Y (sim, é onde estamos agora) do que qualquer uma anterior. Mas a Top Surprise sabe que ruídos caseiros, ainda que maravilhosos, não enchem os bolsos de ninguém. Daí surge o contorno pop das melodias, que deixariam Phil Spector orgulhoso – ou talvez surdo.

Everything Must Go, estréia do Top Surprise, foi produzida por Lê Almeida (Coloração Desbotada) e Paulo Casaes (Fujimo) em dois dias de bebedeira no apartamento dos irmãos André e Daniel. Vocais foram gravados no banheiro, guitarras na sala e bateria no quarto do pai, para desespero dos vizinhos. O resultado soa tão forte quanto qualquer álbum recente rotulado como “shitgaze” – mas com um requinte estético que só quem trabalhou no ramo do telemarketing poderia conceber. Guitarras histéricas e batidas indelicadas explodem sobre as composições, com backing vocals femininos assemelhando-se a abelhas dentro das caixas de som. Da óbvia admiração pelo college rock americano a toques de pós-punk, o EP termina em uma incursão ao território de Jeff Mangum e Elliott Smith. Prova de que até mesmo a sincrética “geração Y” é capaz de momentos de ternura, ainda que em meio ao caos.